De acordo com a mais bela das mitologias, dez anos foi o tempo que, o herói grego, Odisseu levou para retornar à sua terra-natal. Depois de uma década de guerra frente aos troianos, o astuto rei de Ítaca, amaldiçoado pelo deus dos mares (Posseidon), passou por uma série de dificuldades para voltar à sua ilha.
Pouco mais de 3200 anos depois, temos uma situação passível de comparações no cenário da política nacional: neste ano de eleições para presidente, o PSDB, representado pelo experiente José Serra, tem a chance de retornar ao Palácio da Alvorada após oito anos de hegemonia petista.
Para o sucesso de sua missão, o candidato tucano terá de cruzar a sólida muralha da oposição, liderada pela “troiana” Dilma Rousseff e fortemente protegida pelo líder do exército petista, Lula, que busca converter seus fiéis em garantia de votos à sua companheira de partido.
A influência que o atual presidente aparenta ter sobre a decisão de seu futuro sucessor pode ser comparada à participação do deus dos oceanos no mito protagonizado por Odisseu: assim como Posseidon manipulava os mares a fim de dificultar a volta do herói grego para casa, Lula manipula sua grande massa de eleitores com discursos populistas e precoces campanhas eleitorais, buscando o naufrágio da campanha opositora. Esta é, sem dúvida, a mais poderosa arma petista, na qual toda a campanha da candidata Dilma se sustenta. Os tucanos devem precaver-se!
Para cruzar o intransponível muro troiano e dar a vitória aos gregos, Odisseu precisou usar de sua astúcia e projetar o famoso “Cavalo de Tróia”, uma enorme armadilha de madeira esculpida na forma de um cavalo, que funcionou, aos gregos, como um “convite” ao interior de Tróia.
Serra, assim como Odisseu, terá de projetar seu próprio “Cavalo de Tróia”, buscando atingir com inteligência sua oponente e, acima de tudo, evitando lesar o atual governo, visto que é importante conquistar os inúmeros eleitores do popular Lula. Neste contexto, uma questão nos motiva a refletir: Qual seria o “Cavalo de Tróia” dos tucanos?
